sábado, dezembro 02, 2006

 

Todas as Mulheres choram no WC

O nosso momento-Margarida, mas sem o glamour.

Nestas coisas, bom é ser homem, porque eles ficam "todos fodidos", nós... prantamos.
Pronto, é isso e fazer xixi de pé.

É muito frustrante esta esquizofrenia lacrimal.
Mas porque é que parece que engolimos uma gelatina gigante cada vez que nos respondem torto?

Passa-se pelo Manel, que estava de volta do dispensador de água (até há pouco tempo diria que estava a fumar, mas isto agora nos escritórios parece que não se fuma...), que está com cara de poucos amigos, "Então Manel, pareces nervoso, que é que foi?", "Epá, o Dr. deu-me uma descompostura, estou fodido com aquele gajo!" ( este cenário, é meramente demonstrativo, daí a sua falta de ligação com a realidade- todos sabemos que o Manel não assume as suas fraquezas nem muito menos exterioriza emoções). Fica por ali.

Por elas ninguém passa. Atravessam o corredor, até à porta lá ao fundo, agora mais longe que nunca, refugiadas no soluçar que morderam ao longo do interminável percurso daquela alcatifa, que até é meio anti-derrapante, por isso tem que se levantar os pés ao andar. Sim, porque naquele momento, tropeçar, anteciparia dramaticamente a reservada choradeira eminente do momento. E elas sabem-no. É só até à porta.

Eles, eles fingem que não. Há pouca coisa mais constrangedora para um homem que ver uma mulher chorar. Só mesmo as funções fisiológicas de intermitência mensal. Então para lá fica o elefante cor-de-rosa no meio da sala.

Em suma, fogem as mulheres pela vergonha de serem vistas. Os homens, delas, pela vergonha de ver. Elefante sessions.

Não fugimos só pela vergonha, refira-se... assumir a fraqueza de chorar, conota-se como uma atitude inevitável de pessoa fraca e instável que somos. O que geralmente se tende a associar a "é mulher", validando a suspeita de que "mandas em mim, mas se eu tivesse o teu cargo não chorava se o chefe me gritasse". É isso e pensarem que é desperdício, contra-producente, quando engravidamos. Realmente é verdade, as biologia humana e a propagação da espécie é de uma inutilidade abissal.

Ao fugir evitamos que o indutor do choro (amiúde trata-se de uma mera "gota-de-água-limite") presencie o episódio e não caia no erra de pensar que chorar sobre o problema é tudo o que fazemos. O choro não inibe a resolução e ponderação racional do mesmo. Na verdade, secas as lágrimas, teremos reflectido mais (mais até do que o recomendável) do que qualquer outra pessoa.

Outra motivação para o medo de presenciar o choro é a concomitante sensação de impotência com o receio que se tenha de fazer alguma coisa em relação àquilo. Sem preocupações. A chorona, a menos que tenhas kleenex'es, não só não precisa de ti, como te quer à distância.

A boca das hormonas é outra. Mas também, não neguemos à partida que a maneira mais rápida e eficiente, mess-free de calar um gaijo é dizer "epá, não pude porque estou com problemas de mulheres"... se dissermos "estou com o período" aí é que eles ficam em choque, depois imaginam-nos em forma de um gigantesco penso higiénico com braços que fala imenso ao telefone e mexe no cabelo. E isso é nojento. O telefone está caro e deve ser usado com prudência.

Devo confessar que é um recurso que há muito pouco tempo me foi transmitido. Quase que me envergonho, na mesma medida em que me orgulho, de não me ter lembrado de tal coisa há mais tempo. Recurso muito irónico se repararmos que esta tacinha de desculpas é ao mesmo tempo o que motiva este frenesim de ranho salgado. As tais hormonas. Acordamos, então, que o recurso à desculpa hormonal é admissível na proporção de sofrimento ou inconveniência que estas efectivamente nos provoquem.

Sumariamente, ser vista como propulsora de expecturação de nariz encarnado, mera portadora de faculdades femininas não é um papel a que queiramos estar associadas.

Pessoalmente evito refugiar-me nas hormonas, para o bem e para o mal.
Mas a verdade é que muitas vezes corri para aquela maldita porta ao fundo do corredor.


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segunda-feira, dezembro 19, 2005

 

Não gostamos de folhinhas. Mas Gaja é sempre Gaja. Das saídas de babes... The essentials.


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quinta-feira, dezembro 15, 2005

 

A Colega do Caderninho das Dedicatórias

Elas são super fãs da Anne Gueddes e já conheciam o economato de escritório Agatha Ruiz de La Prada muito antes de ele aparecer na vulgar papelaria de bairro. Rotring e BIC... humpff... Amadores!!

Elas têm caderninhos de cheiro, folhinhas que amiúde herdaram de uma prima ou irmã mais velhas que sofriam de uma patologia análoga, faziam troca em miúdas. Adoram fotografias de animais fofinhos, como gatinhos persa a dormir e se têm um cão, não é raro vê-los vestidos com roupinhas em tweed. Dão-lhes nome que acabem com o som "iii". Porque é mais fofiiiinho.

Também adoram bebés e ambicionam ser educadores de infância desde a mais tenra idade. Às vezes querem ser bailarinas, mas é só quando são pequeninas, porque são graciosas e usam roupa de princesa.

Adoram citações (ao contrário de nós por aqui) e sabem versos de cor. Têm uma frase feita para cada ocasião da vida e foi delas que recebemos o "...desta tua amiga não de sempre mas para sempre".

Frequentemente partilham um passado em foram postas de parte, pelo que necessitam de uma validação, provas físicas de que houve, efectivamente, alguma altura das suas vidas em que tiveram amigos e amigas. Muitos. E normalmente atacam, não em noites de lua cheia, mas em finais de ano-lectivo, ou mesmo, porque não, é uma despedida como outra qualquer, no fim das férias grandes.

Munidas de canetas de última geração, elas eram a estrela na primária com estojos (não invulgarmente), mais que um, com bonecos, em pelúcia, que jorram esferográficas, marcadores e correctores de todas as cores, tonalidades, matizados, brilhos, tamanhos e feitios.

Elas são chatas e são uma praga. Mas aposto que todos tivemos uma nas nossas vidiiiinhas.

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sexta-feira, dezembro 09, 2005

 

Se acharam a ideia do banco de urina nojenta, esperem até verem esta…

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Telefonem para o Livro do Guiness. Pombo Incontinente, ao fim de dez anos de recolha, conseguiu juntar uma bolinha com aproximadamente 5 gramas da sua própria cera dos ouvidos.


(Pedaço de 5 gramas de genuína cera de ouvido)

Para quê? - pergunta o leitor - E porque raio é que ele tinha que vir partilhar isso connosco?

Este acto, aparentemente ilógico, apenas serve para ilustrar, uma vez mais, o nosso visionarismo, próprio de quem se encontra muito à frente do seu tempo. Com a rápida delapidação dos recursos naturais da terra, a cera de ouvidos em breve tornar-se-á um importante e precioso bem, cotado em bolsa e tudo. Dados recentes divulgados por um informador dentro da hierarquia da CIA revelam que os Estados Unidos têm vindo, desde os anos 50, a aprovisionar uma reserva de cera de ouvido, que é guardada num armazém subterrâneo nas Ilhas Virgens. Era aliás, nada mais nada menos do que cera de ouvidos que transportam os famosos aviões secretos da CIA que fazem escalas episódicas em aeroportos europeus (aquela história dos prisioneiros suspeitos de terrorismo era só para despistar). E não é caso para menos, a cera de ouvido constitui não só um alimento altamente rico em proteínas e vitamina B e C, como um excelente calafetante de brechas, sendo aliás o material mais barato que que dá uma protecção 100% eficaz contra radiações nucleares.

Contudo, a cera dos ouvidos, nas mãos erradas, pode facilmente ser usada como droga recreativa. Já os índios do Peru, aquando da chegada dos conquistadores espanhóis, usavam a cera dos ouvidos para rituais xamânicos de adivinhação, pelas suas qualidades psicotrópicas únicas. Chamavam-lhe Penecoatl Haztlan, ou seja, cera-que-sabe-a-merda-mas-dá-uma-moca-descomunal. Os índios do Perú tinham o hábito de mascar a cera dos ouvidos até esta ser absorvida pela mucosa da boca, ou de a fumar em cachimbos. O princípio é simples: como é sabido, os estupefacientes alojam-se na matéria gorda com um nome demasiado complicado para nos lembrarmos neste momento, responsável pelas ligações entre neurónios do cérebro. Parte desse depósito é transmitido, através dos tecidos nervosos, para os tímpanos, que, por sua vez, produzem a cera “aditivada”. Assim, reunindo a cera dos ouvidos e reutilizando-a, diminuem-se os lucros dos traficantes de droga, contribuindo para um mundo mais seguro.


(pequena barra de cera de ouvido sendo derretida para ser posteriormente fumada numa mortalha, misturada com tabaco)

E, por último, há que não esquecer as utilidades artísticas e artesanais da cera dos ouvidos, que eram já conhecidas dos índios do Peru, mas que foram desenvolvidas sobretudo na China do século II d.C., durante a época dourada da arte com cera de ouvidos que corresponde à Dinastia Ping-Pong. Os artefactos e estatuetas feitos de cera de ouvido constituem artigos muito procurados pelos coleccionadores internacionais.


(boneco feito com cera de ouvido, encontrado em escavações sob o consultório de um otorrino de Xangai, comprado por £600.000 num leilão recente realizado em Londres)

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segunda-feira, novembro 28, 2005

 

O inevitável regresso do Enxoval (tenham medo! Muito medo!)

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Se és mulher, a quadra natalícia traz consigo duas certezas essenciais:

1) Não vais conseguir vestir aquelas calças giríssimas que te compraram tendo em vista as tuas medidas tal como elas eram duas semanas antes do dia de Natal;
2) Vais receber prendas "para o enxoval".

Mas o que raio é o ENXOVAL?
A palavra "enxoval" constitui uma evolução, por aglutinação fonética da expressão "enche o baú". Toda a mulher tem um baú cheio de rendinhas, toalhas turcas e serviços de chá oferecidos por familiares sem a mínima ideia daquilo que são os seus gostos pessoais e assim se safam airosamente com a cena do sapatinho, oferecendo algo "para o enxoval", que é como quem diz, para um dia em que se casar, e cumprir o seu papel de leal zeladora do lar conjugal e reprodutora da espécie ditado por Deus Nosso Senhor, ter já algum recheio para colocar no recém-adquirido T1 na Brandoa.

Elas sempre olharam de soslaio, quando os rapazes da família recebiam o barco dos piratas da playmobil ou um action man e elas encontravam o sapatinho recheado de lindas rendinhas e terrinas das Caldas para o dia em que eventualmente dessem o nó.

E nós ríamos. E continuamos a rir. Até ao dia em que tomaremos a irreflectida decisão de ir viver com uma delas. Quando o baú do enxoval se abre, acreditem, meus amigos: o homem deixa de rir.

Experimentem explicar à vossa mais-que-tudo que as toalhas de mesa com rendinhas e breloques em que a tia-avó delas trabalhou durante 10 anos dão ao apartamento que vocês sonharam com o design mais vanguardista, um ar totalmente bimbo. Especialmente se a tal tia-avó tiver morrido há duas semanas... De exaustão... Sentada na cadeira de baloiço, ainda com a agulha na mão, no instante em que deu o último retoque ao atoalhado, para adicionar um pouco de melodrama à coisa.
Experimentem explicar-lhe que as toalhas turcas cor-de-rosa com as vossas iniciais bordadas no rebordo à mão pela prima dela solteirona cuja face pica mais que a vossa barba de uma semana, expliquem-lhe que, se em Santa Marta de Penaguião essas toalhas fariam grande furor, em Lisboa tornar-vos-iam eterno alvo de chacota dos vossos companheiros que se dirigissem à casa de banho para escoar a cerveja que beberam na vossa companhia, numa noite de bola na tv e suecada na mesa.

Experimentem tentar explicar-lhes isso, e auguro-vos uma noite de núpcias passada a descobrir o vasto leque dos canais que apanha a televisão do quarto do hotel.

Não, meninas, não se assustem... O Pombo não está a pensar dar o nó! Simplesmente, porque consigo pensar antecipadamente nesses problemas é que abraço com fulgor a causa da abolição imediata e incondicional do enxoval.

Quem está comigo?

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terça-feira, novembro 08, 2005

 

O negócio mais sórdido do mundo (a seguir ao KFC)

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JOVEM:
Tens mais de 18 anos e tomaste a decisão consciente de viver livre das drogas?
Parabéns! És uma raridade! Mas perguntas tu e muito bem: mas o que posso eu ganhar com isso?

Graças ao novo negócio do POMBO INCONTINENTE, INC., tu podes ganhar dinheiro fazendo algo que sempre fizeste à borla!

É verdade, jovem! Mais de 50% da população urbana entre os 18 e 25 anos é, pelo menos, consumidora exporádica de cannabinóides ou outras drogas ilícitas. Isto significa que mais de 50% dessas pessoas tem um sério risco de sucumbir à nova moda das empresas: testes à urina para detectar vestígios de estupefacientes. Isto significa que esses mais de 50%, quando confrontados com tais testes, tentarão pedir emprestada urina a amigos e familiares, para no momento da verdade darem para análise como sendo sua. Mas dificilmente encontrarão uma pessoa que lhes possa fornecer boa urina, 100% natural, porque os seus amigos e familiares têm fortes probabilidades estatísticas de serem tão queimados como eles próprios.



É aqui que tu entras, jovem-saudável-livre-de-drogas: A TUA URINA É VALIOSA! A TUA URINA É UM BEM ESCASSO E EM VIAS DE EXTINÇÃO/A TUA URINA PODE SALVAR VIDAS! E, o melhor: A TUA URINA VALE DINHEIRO! Mete isto na cabeça: nós, nos Bancos de Urina Pombo Incontinente, pagamos-te para mijares! Dirige-te já ao teu BANCO DE URINA MAIS PRÓXIMO e vende a tua própria urina!

Se o teu problema for o inverso, ou seja, és atleta de alta competição/agente da PJ/astronauta/padre/a Kate Moss/etc. e precisas de aldrabar um teste de estupefacientes que se aproxima, dirige-te ao BANCO DE URINA da tua zona e consulta os nossos preçários imbatíveis! Também fornecemos para festas académicas e despedidas de solteiro (bem geladinha e com gás à mistura, ninguém nota a diferença).

Se és empresário/a e gostavas de entrar no ramo da urina, contacta-nos e informar-te-emos das fabulosas condições do nosso franchising para que também tu possas ter o teu próprio BANCO DE URINA POMBO INCONTINENTE!

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sábado, outubro 29, 2005

 

Fechar a Porta/Voltar a Fumar

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Caros Leitores do Pombo Incontinente,

Certamente terão notado que este espaço anda um pouco parado, ultimamente. Tal deve-se a um novo projecto em que o autor deste blogue entrou, numa joint-venture com a autora do Vor V Zakone, o autor de Óculos Verdes Para Ver de Perto e o autor de Nem Aqui Nem Ali.

O novo blogue chama-se Fechar a Porta/Voltar a Fumar, e tem um estilo totalmente diferente do Pombo Incontinente. Vale a pena descubri-lo!
Desde logo, que outro blogue é que vos saúda com a imagem de uma moça masturbando-se com "O Castelo" de Kafka sobre a coxa?

Ah, naturalmente que o Pombo Incontinente continuará a existir, continuando a ser actualizado com a maior regularidade possível!



Nota: Não irão encontrar posts assinados pelo Pombo, pois decidi adoptar um outro alter-ego, que certamente descobrirão com alguma facilidade.

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